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18/12/2013
Atualizada: 18/12/2013 00:00:00


 

Data: 16/12/2013

 



A reunião do Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) para discutir a adesão da instituição à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi cancelada na manhã desta segunda-feira (16). Uma mobilização com mais de 400 pessoas impediu a efetivação da pauta da reunião extraordinária do Consuni, convocada pelo reitor Luiz Pedro San Gil Jutuca, “no apagar das luzes do ano letivo, quebrando até mesmo o acordo firmado com a Comissão dos Três Segmentos de que o conselho não aprovaria essa adesão antes de amplo debate com a comunidade universitária”, afirma Rodrigo Castelo, professor de serviço social da instituição e tesoureiro da Associação dos Docentes da Unirio (Adunirio – Seção Sindical do Andes-SN).


Docentes, estudantes e técnico-administrativos da Unirio e das Universidades Federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e Fluminense (UFF) ocuparam o auditório do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), local em que deveria ocorrer a reunião. “O Consuni não conseguiu discutir a pauta. Os manifestantes das várias entidades ocuparam as mesas e cadeiras antes de o reitor conseguir o quórum. Também retiraram os microfones. Por mais de uma hora permaneceram no local e, com palavras de ordem, não deixaram o reitor falar. Resistiram até que Jutuca garantisse que não puxaria outro Consuni até março e suspendesse a reunião”, relata Elizabeth Barbosa, 2ª vice-presidente da Regional Rio de Janeiro, que também esteve no protesto.

“É a segunda vitória dos movimentos docente, estudantil e técnico-administrativo contra a Ebserh no Rio. A primeira foi na Adufrj, em setembro. Essa mobilização é fruto do acúmulo de lutas deste ano”, afirma Castelo. Ele declara que essa nova vitória “só foi possível por causa da intensa mobilização conjunta e articulada das três Seções Sindicais do Andes-SN no Rio – Adunirio, Aduff e Adufrj – na defesa da pauta do Sindicato Nacional”, assegura o dirigente sindical.

Quebra de acordo provocou o protesto
Ele informa que o protesto ocorreu porque o reitor quebrou um acordo firmado com a Comissão dos Três Segmentos universitários (específica sobre a Ebserh) de que não haveria nenhum encontro deliberativo do conselho sobre a adesão sem antes realizar amplo debate com as categorias. “ele descumpriu acordo feito com os movimentos. Até a forma de convocação dessa reunião extraordinária foi um gesto sorrateiro do reitor porque esse Consuni foi marcado às pressas, atropelando a democracia interna”.

O combinado é que haveria três debates públicos na universidade, uma audiência pública com o Ministério Público Federal (MPF) e uma sessão não deliberativa do Consuni para debater o tema. Contudo, ninguém da reitoria compareceu aos debates e nem à audiência pública e, em vez da sessão para discutir o tema, o reitor convocou uma reunião extraordinária, 48 horas úteis após a reunião ordinária, realizada na quinta-feira (12), para aprovar a adesão.

O tesoureiro da Adunirio diz que, os três segmentos universitários são contra o gerenciamento empresarial do HGG, não querem um hospital-empresa e defendem a existência de hospital-escola que respeite o tripé ensino, pesquisa e extensão e a autonomia não só na gestão administrativa, mas também na gestão acadêmica. “Porque não é só a gestão administrativa que se perde com a adesão à Ebserh, a acadêmica também. Temos a comprovação disso nos 12 hospitais universitários que aderiram à empresa, sobretudo, na Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)”.

Castelo ressalta que a Comissão dos Três Segmentos Unirio apresentou uma proposta alternativa para a crise do HUGG. “Não somos somente contra a Ebserh, estamos construindo uma pauta propositiva”. A 2ª vice-presidente da Regional Rio de Janeiro completa com a informação de que representantes da Frente Nacional contra a Privatização participaram do protesto e marcaram reunião de balanço do movimento para os dias 10 e 11 de janeiro, ocasião em que pretendem realizar um levantamento das mobilizações contra a empresa em todo o país durante o 2013.

Na Adupa, mobilização será nesta terça (17)

A Associação dos Docentes da Universidade Federal do Pará (Adufpa) – Seção Sindical do Andes-SN – e os movimentos estudantil e dos servidores técnico-administrativos convidam as categorias para mobilização contra a adesão da universidade à Ebserh. O reitor Carlos Maneschy convocou uma reunião do Conselho Superior Universitário (Consun) para esta terça-feira (17), às 9h, a fim de deliberar sobre a adesão à empresa para gestão dos Hospitais Universitários Bettina Ferro e João de Barros Barreto, da UFPA. 

O último Consun, realizado na quarta-feira (11), foi suspenso após pedido de vistas da Adufpa sobre o parecer apresentado pela comissão da reitoria, designada para avaliar a adesão ou não da universidade à Ebserh. Dezenas de professores, estudantes e técnicos administrativos ocuparam a sala de reuniões e protestaram contra a privatização. Em nota divulgada no site, a Adufpa informa que a reitoria chegou a afirmar que os ‘detalhes’ sobre a adesão da universidade serão discutidos após sua aprovação.

“O levantamento sobre o patrimônio, bem como tudo o que se refere ao ensino, pesquisa e extensão; à autonomia universitária e à saúde pública, gratuita e de qualidade, são questões cruciais, que jamais podem ser menosprezadas, pois não se tratam de ‘detalhes‘”, diz a nota.

* Fotos: Marco Fernandes/Adufrj-SSind

 

 

Fonte: Andes SN

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