08/04/2014
Atualizada: 08/04/2014 00:00:00
Atividade contou com a participação de diversas entidades nacionais

Trabalhadores das áreas da Saúde e Educação e estudantes se reuniram no Largo da Carioca (centro do Rio de Janeiro) para denunciar a precarização dos serviços públicos e marcar o Dia Mundial da Saúde (7 de abril). A atividade reuniu, ainda, entidades nacionais e partidos políticos. Após falas iniciais voltadas à população que passava nas ruas, os trabalhadores saíram em passeata pela Avenida Rio Branco até a Cinelândia. O ato foi encerrado nas escadarias da Câmara de Vereadores.
A professora Sônia Lúcio, da Regional Rio do Andes-SN, chamou atenção para o aprofundamento da privatização dos serviços de saúde. “Estamos aqui para nos manifestar firmemente contra a privatização da Saúde. A Saúde não é mercadoria. A população precisa entender que seus impostos não têm sido dirigidos para os serviços públicos, mas para sustentar o lucro do empresariado. Para barrar esse processo é necessária a unidade da classe trabalhadora”, ressaltou.
A dirigente também falou da luta no estado do Rio de Janeiro contra a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. “O Rio tem sido fundamental na luta contra a privatização da Saúde. Nós barramos a Ebserh nos hospitais da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), UFF (Universidade Federal Fluminense) e Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro)”, comentou Sônia.
“Este é um ato contra a privatização da vida”, destacou a professora Maria Inês Bravo, da Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde. “Várias entidades que aqui estão compõem o Fórum do Rio de Janeiro e a Frente Nacional. Andes-SN, Fasubra, Sindsprev, são fundamentais na defesa da Saúde Pública”.
Pela Fasubra falou o coordenador geral Francisco de Assis, que também é dirigente do Sintufrj (Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da UFRJ). “Precisamos denunciar os seguidos ataques que o governo e o capital têm feito à Saúde. A luta é de todos nós, trabalhadores, estudantes, ativos e aposentados”, ressaltou.
“Da Copa eu abro mão”
Os gastos com os megaeventos no Brasil, em especial no Rio de Janeiro, que também será sede das Olimpíadas de 2016, foi destaque na fala de diversas pessoas. Uma delas foi Alexandre Pessoa, dirigente do Sindicato Nacional dos Servidores da Fundação Osvaldo Cruz (Asfoc-SN). “O governo parece só se preocupar com a Copa do Mundo, em transmitir uma imagem que não é a realidade dos trabalhadores do nosso país”, destacou.

Para Luiz Sérgio Ribeiro, da CSP-Conlutas, os trabalhadores não têm o que comemorar: “Hoje é um dia de luta e não de celebração. São milhões destinados aos juros da dívida. Outros milhões gastos em megaeventos, quanto nós amargamos o abandono da Saúde e da Educação”.
Tatiani Araújo, pelo Coletivo Mulheres em Luta, lembrou da precária assistência à população, em especial à mulher: “Enquanto milhões são gastos em estádios, nossa população está completamente desassistida. Desde que o Sistema Único de Saúde foi fundado, o que vemos é um crescente processo de sucateamento na atenção à Saúde. Nós, mulheres, somos vítimas constantes. Programas como a Rede Cegonha são uma completa falácia. Servem apenas para gerar mídia favorável ao governo, enquanto nossas mulheres estão tendo seus filhos nas portas dos hospitais por falta de leitos”.
Planos de saúde sem fiscalização
A Associação dos Servidores e demais Trabalhadores da Agência Nacional de Saúde Suplementar (Assetans) denunciou a Medida Provisória 627/2013, de relatoria do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB). A MP prevê a drástica redução no valor das multas a operadoras de planos de saúde que se neguem a realizar procedimentos. Além da diminuição do valor, a medida reduz também o número de procedimentos pelos quais elas podem ser multadas. De um máximo de 50, para somente dois. Na prática, a MP acaba com o poder de fiscalização da ANS. A MP foi aprovada na Câmara dos Deputados e foi enviada recentemente para o Senado.
*Por Silvana Sá
* Com edição e fotos do Andes-SN