16/05/2014
Atualizada: 16/05/2014 00:00:00

Desde a manhã de quarta-feira (14), estudantes de diversos cursos de graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul ocupam a reitoria da instituição. De acordo com nota publicada pelos alunos, um dos fatos que motivaram a ocupação foi a invasão da brigada militar na Escola de Educação Física (Esef) no final de abril, em que quatro estudantes foram detidos, além dos inúmeros problemas enfrentados pelos alunos, que cobram o atendimento de diversas reivindicações relacionadas à assistência estudantil, Casa do Estudante, restaurante universitário, segurança, infraestrutura, contratação de professores, entre outros.
Na quinta-feira (15), os estudantes encaminharam à reitoria 41 pautas urgentes, que resultaram de assembleias realizadas ao longo da ocupação, divididas nos eixos segurança, direitos estudantis, estrutura universitária e pautas gerais.
Em nota divulgada após a ocupação, os estudantes afirmam estar “cansados de tentar buscar soluções para a enorme quantidade de problemas – através de reuniões com institutos, pró-reitoria e reitoria – enfrentados continuamente por milhares de alunos, ano após ano”. Eles acrescentam ainda têm os direitos atacados constantemente, e exemplificam: “as vagas na Casa do Estudante não correspondem às necessidades de moradia dos alunos da UFRGS. Inúmeras queixas, reclamações e protocolos foram completamente ignorados durante anos pela reitoria universitária, chegando ao agravante de, em uma reunião realizada neste ano, o Pró-Reitor de Assuntos Estudantis recomendar que os próprios moradores da casa de estudantes procurassem edifícios para uma nova casa”.
O grupo reclama ainda das condições do restaurante universitário, do valor pago pelas bolsas, considerado insuficiente para que se mantenham na universidade, dos problemas de infraestrutura e a falta de docentes. “A falta de professores é também um fato que chama a atenção, juntamente com a radical enxugada de créditos dos currículos, levando a acreditar que muitos cursos de graduação, em breve, terão o status de curso técnico. Disciplinas que antes eram abertas a todos os cursos como eletivas foram simplesmente retiradas. Além disso, temos casos de alunos que não conseguem concluir o curso por não conseguirem matrícula em disciplinas finais (como as de estágio obrigatório nas licenciaturas) por falta de professores”.
Invasão
De acordo com os estudantes, no dia 19 de abril, 12 brigadianos invadiram a universidade, pulando os muros da Esef durante um congresso de estudantes de enfermagem, após terem recebido reclamações de barulho por parte de moradores. “Frente à negativa de alguns estudantes e do próprio segurança patrimonial de serem autorizados a entrar no local, após todos os aparelhos de som terem sido desligados, a Brigada Militar interrompeu o encontro, agrediu e prendeu quatro estudantes, bem como o próprio segurança terceirizado da UFRGS”, relatam na nota.
Os alunos reclamam ainda que a reitoria não tomou nenhuma atitude de repúdio em relação ao ocorrido. “Neste contexto – de reitoria que compactua com repressão aos estudantes–, não podemos deixar de lembrar que essa é a mesma universidade que, bem como outras do estado, possui um infame acordo militar com a empresa de segurança Israelense Elbit [cujo nome no Brasil é AEL] para a produção de um satélite militar. Não queremos que a nossa universidade seja utilizada para produção de conhecimento a estes mercadores da morte, que lucram milhões com o apartheid israelense e promovem o genocídio do povo palestino! Tempos sinistros se aproximam, e fatos como esses são decisivos para sabermos quem é quem e para quem serve a produção de conhecimento acadêmico”.
A nota afirma ainda que a invasão na Esef foi a gota d’água para os estudantes, que pedem um basta à repressão, reivindicam autonomia universitária e garantia dos direitos estudantis, e a saída imediata de toda brigada dos campi universitários.
Atividades
Nesta sexta-feira (16), os estudantes do movimento realizam uma série de atividades de mobilização, como cursos, roda de conversa e sopão vegetariano, divulgados na página do facebook Ocupa Reitoria UFRGS.
* Com informações da Revista Fórum.
*Imagem Facebook da Assufurgs