19/05/2014
Atualizada: 19/05/2014 00:00:00
Em novembro de 2010, 51 trabalhadores foram resgatados durante fiscalização do Ministério do Trabalho. Operários sofriam ameaças, agressões físicas e verbais, além de serem intimidados por homens portando armas de fogo
A América Latina Logística (ALL), maior companhia ferroviária do Brasil, foi condenada a pagar R$ 15 milhões como dano moral coletivo por trabalho escravo. Em novembro de 2010, 51 trabalhadores foram resgatados em condições análogas a de escravo durante fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Os trabalhadores foram encontrados em alojamentos em condições precárias no Embu-Guaçú e na Estação Ferraz, linhas férreas exploradas e mantidas pela All América. As vítimas estavam isoladas na mata e eram impedidas de manter qualquer contato externo. Os operários eram ameaçados, sofriam agressões físicas e verbais, sendo intimidados por homens com armas de fogo. As jornadas de trabalho chegavam a 70 horas semanais.
Ação foi movida pelo Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP). A companhia alegou em sua defesa que as irregularidades eram de responsabilidade da Prumo Engenharia, empresa contratada pela All América para oferecer mão de obra.
A decisão na 1ª Vara do Trabalho de Itapecerica da Serra responsabilizou a concessionária All América por sua cadeia produtiva, destacando que a companhia tem o dever de fiscalizar o cumprimento da legislação por suas terceirizadas.
Em nota, a ALL anunciou que vai recorrer da decisão e "que repudia veementemente qualquer prática contrária aos direitos trabalhistas e reforça que possui políticas rígidas internas que determinam o cumprimento das normas legais aplicáveis ao seu negócio, incluindo as empresas prestadoras de serviços".
* Com edição do Andes-SN