18/06/2014
Atualizada: 18/06/2014 00:00:00
Com a primeira greve em 19 anos, médicos fortalecem movimento das Estaduais Paulistas e suspendem consultas ambulatoriais e cirurgias eletivas
Após 19 anos sem fazer greve, os médicos do Hospital Universitário aprovaram entrar em greve a partir de segunda-feira (16), de acordo com informação do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), se juntando aos milhares de técnicos e docentes da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), em greve desde o final de maio, contra a política de sucateamento da universidades estaduais paulistas.
De acordo com o Simesp, o que motivou a adesão à paralisação foram os problemas de estrutura física, ambiente de trabalho inadequado e superlotação, além do congelamento de salários. Houve assembleia dos médicos do hospital na mesma data para definir os rumos da greve.
“Este é um hospital cujo objetivo seria formar médicos tanto na graduação, quanto na residência médica, para atender com qualidade a população, e acaba respondendo por uma demanda assistencial muito grande, com alto movimento no pronto-socorro em razão da ineficiência das secretarias municipal e estadual da saúde aqui na região, o que sobrecarrega o serviço. Para se ter uma ideia, temos capacidade para atender 700 pacientes por dia e hoje esse número chega até 1400”, explica o diretor eleito do Simesp, Gerson Salvador.
Em entrevista à Rede Brasil Atual, a funcionária do hospital e diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Rosane Meire Vieira, informou que os mais de 270 médicos que trabalham na unidade paralisaram os trabalhos. Os funcionários reivindicam 9,8% de aumento, mais 3% pelas perdas salariais anteriores. Além disso, os médicos do hospital universitário pedem a contratação de mais profissionais para as equipes e melhores condições de trabalho, com a reforma do hospital e a redução da jornada de trabalho de 36 para 30 horas semanais.
“Nossas reivindicações são unificadas, resolvemos aderir contra a instituição que disse que não dará nenhum aumento para nós. Precisamos de melhores condições de trabalho, porque o hospital universitário tem capacidade para atender 6 mil pessoas por mês e está fazendo até 23 mil atendimentos”, comparou Rosane.
Pelo menos 30% dos médicos (em revezamento) continuarão o trabalho para garantir os atendimentos de urgência e emergência. Segundo o Simesp, os médicos do HU apoiam o movimento grevista dos trabalhadores da Universidade e participam ativamente da greve com a própria pauta de reivindicações.
Na próxima segunda-feira, dia 23, haverá nova assembleia para definição dos rumos do movimento, mas ainda não há indicativo de interromper a paralisação.
Greve nas Estaduais
Nesta quarta-feira (18), o Fórum das Seis - representação de docentes, funcionários e estudantes da USP, Unesp, Unicamp e do Centro Paula Souza -, realizam a aula pública “Direito à educação e à saúde” na Praça da Sé, atividade unificada das universidades estaduais paulistas, em greve desde o dia 27 de maio, pela abertura de negociações e por mais recursos para a Educação no estado de São Paulo. A atividade unificada, que acontece após o cancelamento de reunião de negociação na última sexta-feira (13) pelo Cruesp, pede reabertura do diálogo e mais recursos para Educação pública no estado de São Paulo.
*Com informações do Simesp e da Rede Brasil Atual e foto do Diário SP