01/07/2014
Atualizada: 01/07/2014 00:00:00
A crise orçamentária da Universidade de São Paulo (USP), provocada por equívocos de gestão cometidos pela Reitoria da universidade nos últimos quatro anos, é a responsável pelo atual impasse nas negociações da campanha salarial que culminou com a greve dos professores e funcionários das três universidades estaduais paulistas. Esta avaliação foi defendida pelo reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), José Tadeu Jorge, na última sexta-feira (27), durante encontro com a comunidade acadêmica em greve no auditório da Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp), Seção Sindical do Andes SN.
Tadeu Jorge afirmou ainda que considera a greve legítima, mas que não vê perspectivas de retomada das negociações diante da intransigência do reitor da USP, professor Marco Antonio Zago, que insiste em 0% de reajuste salarial. De acordo com o reitor, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) está dividido diante da greve, que já se prolonga por um mês, e da proposta de reajuste de 0%.
Ele relatou que, desde o início das conversações da campanha salarial, a Unicamp defendeu um reajuste de 5,2%, mas a proposta foi duramente combatida pelo reitor da USP. Por outro lado, enfatizou também a importância estratégica de que as decisões do Cruesp sejam consensuais e atribuiu exatamente à falta de consenso o impasse atual.
O encontro de sexta-feira (27), realizado a partir de um convite da Adunicamp, se prolongou por duas horas e meia e reuniu mais de 230 docentes e funcionários em greve. "Desde o início das conversações (no Cruesp), eu defendi o argumento de que o índice zero seria decretar a greve. A nossa Reitoria reconhece a greve e o direito das entidades. Tenho trabalhado para reestabelecer a negociação, mas nas últimas semanas estou muito pessimista com a possibilidade de a USP mudar de ideia", afirmou o reitor.
Tadeu Jorge afirmou que os "subsídios e prêmios que a reitoria da USP concedeu a professores e funcionários nos últimos anos" criaram problemas na gestão orçamentária da universidade.
Crise
Tadeu Jorge foi fortemente questionado pelos professores sobre o que alguns deles chamaram de "crise no Cruesp", que hoje não passaria de um "órgão homologatório" das decisões da reitoria da USP.
"Se o nome é crise, não sei. Mas há uma divergência muito forte no Cruesp. E como se chegou a isso? A gestão anterior da USP tomou uma série de iniciativas extremamente desagregadoras, que quebraram a isonomia (entre as universidades)", afirmou o reitor.
De acordo com Tadeu Jorge, a Reitoria da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) também se posicionou contra o reajuste zero no Cruesp, mas defendeu uma posição intermediária entre a da USP e a da Unicamp.
Tadeu Jorge questionou ainda a redução de verbas do governo do estado para as universidades públicas, e afirmou que o governador Geraldo Alckmin "faz de conta que não é com ele" a atual crise e a greve em curso, ao afirmar que "as universidades são autônomas".
De acordo com o reitor, houve um forte crescimento das universidades, com a abertura de novas unidades e campus, sem que houvesse nenhum aumento dos recursos públicos destinados a elas.
* Com edição do Andes SN
* Fotos: Adunicamp - Seção Sindical