30/07/2014
Atualizada: 30/07/2014 00:00:00
Há quase cinco anos, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) pôs em funcionamento uma unidade na cidade de Santana do Ipanema, a cerca de 200 quilômetros da capital Maceió. A unidade, que integra o campus Sertão da Ufal, no entanto, não apresenta condições estruturais mínimas para atividades de ensino, pesquisa e extensão. A evasão de estudantes já passa de 50% e o prédio que sediaria a universidade nunca saiu do papel, conforme denunciam estudantes e docentes da instituição.
Exigindo a retomada das obras que construiriam a Ufal na cidade, os estudantes da unidade Santana do Ipanema entraram em greve. A Associação dos Docentes da Ufal – Seção Sindical do Andes-SN (Adufal-SSind) se somou à luta e tem realizado ações junto à reitoria da universidade para que o edital de construção da unidade, deixado de lado quando a empresa responsável pela obra foi à falência, volte a ser encaminhado. A administração da Ufal, porém, ainda não tomou qualquer medida para solucionar os problemas.

Segundo o professor Antônio Passos Lima Filho, da Diretoria de Política Sindical da Adufal, a situação da unidade Santana do Ipanema é séria e deve ser tratada como prioridade pela comunidade acadêmica da Ufal. “Temos encampado a luta de Santana do Ipanema. A unidade é um projeto mal sucedido da universidade. Desde que a empresa responsável pelas obras faliu, a unidade nunca saiu do papel”, afirma o docente. Sem espaço físico próprio para funcionar, a Ufal ocupa parte de uma escola privada de ensino fundamental e médio da cidade.
Um documento publicado pelo Centro Acadêmico de Economia (Caeco) de Santana do Ipanema explicita alguns dos problemas que a comunidade enfrenta. Nele, o CA afirma que em meados de 2011, após as lutas da comunidade foi iniciado um processo para a construção das obras da unidade, mas verificou-se que o projeto não atendia as necessidades da comunidade: sem auditório, restaurante universitário, casa do estudante e espaços que possibilitassem, por exemplo, a oferta de futuros cursos de pós-graduação. Segundo o documento, seguem estudando na Ufal de Santana do Ipanema apenas 42% dos estudantes matriculados. Além disso, a unidade conta apenas com 12 docentes para ministrar 49 disciplinas, o que faz com que cada professor tenha que, em média, ministrar 5 disciplinas, fora as demais atividades acadêmicas.
Sem respostas por parte da reitoria, os estudantes entraram em greve e afirmam que só voltam às aulas quando um cronograma de construção da unidade seja definido oficialmente. A Adufal, de acordo com o professor Passos, se organiza para preparar reuniões com a comunidade acadêmica de Santana do Ipanema para definir as próximas ações conjuntas ainda essa semana.
Leia aqui o documento escrito pelo Caeco.
*Fotos de Professor em Luta UFAL.