16/10/2014
Atualizada: 16/10/2014 00:00:00
Entidades do movimento sindical e estudantil reuniram-se na manhã desta terça-feira (16) com o cônsul do México em São Paulo, José Gerardo Traslosheros Hernández, para tratar do desaparecimento de 43 estudantes daquele país.
A audiência teve a presença de representantes da CSP-Conlutas e da Assembleia Nacional dos Estudantes Livre (Anel). Foi entregue uma carta ao cônsul com a assinatura de mais de 50 entidades, cujo conteúdo traz a exigência de justiça e imediata apuração e punição dos responsáveis pelo desaparecimento de 43 estudantes em Iguala, México, dos quais 17 possivelmente foram mortos.
Mariluz Arriaga, docente de economia da Universidade Autônoma do México (Unam), em entrevista ao Andes-SN explica a situação. “É um crime de estado, e mais, é um terror de classe. É um horror, uma ação contra estudantes de origem camponesa que querem ser professores. Eles são estigmatizados há anos, há tempos tentam fechar suas escolas”, diz Mariluz.
A carta foi recebida pelo cônsul Hernández que alegou estarem sendo tomadas todas as medidas necessárias para que o caso seja solucionado. “Não haverá impunidade, o governo está apurando e irá castigar os responsáveis”, frisou. O consulado está se informando sobre o andamento da investigação do caso com a Procuradoria Geral da República do México e todas as medidas estão sendo tomadas pelo governo federal, declarou Hernández.
O dirigente da CSP-Conlutas, Mauro Puerro, salientou que o representante diplomático do méxico mostrou-se aberto ao diálogo com as entidades. “Ele se prontificou a entregar a nossa carta para os órgãos competentes no México. Reafirmamos na audiência o conteúdo do documento e fizemos a exigência de apuração dos desaparecimentos e assassinatos. Esperamos que essa conversa se concretize em ações para que os responsáveis sejam punidos”, disse o dirigente.
A repressão ao livre direito de manifestação dos estudantes não só no México, como também em países como Hong Kong, Chile, e até mesmo no Brasil, foi levantada pelo militante da Anel, Lucas Brito. Para ele, além da discussão sobre a apuração desses crimes e punição aos assassinos, é preciso que se discuta a fundo o combate a repressão aos que lutam.
O cônsul do México enviará um documento com o seu posicionamento acerca do caso, e com todas as medidas que estão sendo tomadas, que será divulgado no site da central assim que for disponibilizado pelo órgão.
Entenda o caso
No último dia 26 de setembro, 80 estudantes rurais sofreram um ataque de policiais e paramilitares, resultando em mortos, feridos, detidos e 43 desaparecidos, além do número de mortos e feridos durante ação criminosa do Estado, quando policiais municipais e a milícia Guerreiros Unidos atacaram um ônibus com estudantes normalistas de Iguala.
Os estudantes e familiares creditam ao governador postura conivente com o narcotráfico, e pouca iniciativa no combate ao tráfico. Por isso, a prática constante de assassinatos por parte de pistoleiros membros de milícias é recorrente, uma vez que o crime organizado tomou conta da cidade.
O desaparecimento dos jovens culminou em uma onda de protesto no país e se espalhou por países latino-americanos e até mesmo na Europa. As mães dos estudantes desaparecidos exigem que “se foram pegos vivos, que o Estado os devolvam vivos”.
Confira aqui a carta entregue ao Cônsul do México.
Veja mais: Massacre de estudantes no México expõe ligações entre polícia e crime organizado
*Com informações de CSP-Conlutas. Imagem de CSP-Conlutas, ANEL e Desinformemonos.