03/12/2014
Atualizada: 03/12/2014 00:00:00
A Coordenação Nacional da CSP-Conlutas se reuniu no último final de semana na cidade do Rio de Janeiro para debater temas como a conjuntura e o 2º Congresso da entidade, que será realizado entre os dias 4 e 7 de junho de 2015, na cidade de Sumaré (SP).
A elaboração de teses, o formato da atividade, os critérios de participação, as finanças e outros aspectos foram discutidos na plenária sobre o 2º Congresso da CSP-Conlutas. Paulo Rizzo, presidente do Andes-SN, ressaltou a importância da deliberação de que no congresso serão votadas propostas de resolução e não mais teses, como é comum em espaços como esse. “É um avanço, visto que a central é composta por entidades, e que os grupos políticos que dela participam continuam podendo apresentar suas propostas”, afirma o docente.
O presidente do Andes-SN também lembrou a deliberação de que o II Encontro da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas será realizado no Brasil, após o Congresso da CSP-Conlutas. “O primeiro encontro foi realizado na França, e decidimos que sediaremos o próximo, no Brasil. É importante para articular os sindicatos do mundo, especialmente os da América Latina”, disse Rizzo.
Conjuntura
Marina Barbosa, professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e ex-presidente do Andes-SN, e Rui Braga, professor da Universidade de São Paulo (USP), compuseram a mesa de conjuntura. Paulo Rizzo, presidente do Andes-SN, afirmou que a discussão sobre conjuntura foi boa, pois explicitou as dificuldades que serão enfrentadas pelos trabalhadores durante o segundo mandato de Dilma Rousseff. “Saímos do debate cientes da necessidade de buscar a unidade dos movimentos sindicais e sociais em torno de um programa mínimo de enfrentamento à crise”, afirmou Paulo Rizzo.
Rui Braga, em sua intervenção, analisou a situação brasileira a partir das grandes mobilizações de junho de 2013, as lutas dos trabalhadores e movimentos sociais e a reeleição de Dilma Rousseff. O professor apontou os quatro pilares do governo Dilma, nos quais o PT não se diferenciaria de um governo do PSDB. “O setor finanças centralizado pelos banqueiros; o agronegócio, que se impõe sobre os pequenos agricultores; a construção civil, que obriga o deslocamento de populações urbanas para periferias; e o da energia, fundamentalmente, o petróleo”.
Segundo Rui Braga, o que os trabalhadores brasileiros enfrentarão no próximo período tem muito a ver com a dinâmica da crise que se aprofunda nos países do sul da Europa. “A crise pela qual passam os países do sul europeu e as medidas de austeridade que vem sendo implementadas por seus governos para um futuro imediato vão determinar as políticas aplicadas pelo governo brasileiro”, disse, acreditando que o governo brasileiro imporá um período de ataques aos trabalhadores dando um significativo giro à direita.
Marina Barbosa partiu dos elementos apresentados por Rui e acrescentou mais tópicos da situação internacional no debate. Entre eles, apontou como fundamental a crise pela qual passa o capitalismo, que em sua opinião se aprofunda e se agudiza. No contexto dessa crise, apontou o papel de subalternidade vivido pelos países que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
A docente concluiu elencando também os elementos que caracterizam as motivações das lutas sociais em vigências, como as por saúde, educação, transporte e moradia, e também por salários e direitos dos trabalhadores. Marina defendeu que se retome com intensidade a unidade em torno do movimento classista, para que se mobilize novamente a classe nesse momento vivido por tantos ataques à classe trabalhadora.
*Editada por Andes-SN