27/02/2015
Atualizada: 27/02/2015 00:00:00

Estudantes da Universidade Federal de Goiás (UFG) foram presos na noite de quinta-feira (26) após uma manifestação contra o sistema de transporte coletivo, em especial, o aumento da tarifa de ônibus em Goiânia (GO), que subiu de R$ 2,80 para R$ 3,30. O ato contou com a participação do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFG e de vários centros acadêmicos da universidade.
Ao dispersar a manifestação, a Polícia Civil prendeu 20 manifestantes e os encaminhou a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Os estudantes prestaram depoimento, individualmente, e foram liberados às 23h.
Alexandre Aguiar dos Santos, 1º vice-presidente da Regional Planalto do Andes-SN, explicou que os estudantes foram presos sem nenhuma acusação, o que demonstra mais um ataque aos movimentos sociais que lutam por demandas legítimas da classe trabalhadora. Para ele, pelo momento da atual conjuntura do estado de Goiás, com corte no orçamento das universidades, e aumento de tarifa do transporte público, 2015 será um ano intenso de protestos e, consequentemente, de criminalização dos movimentos sociais.
“A luta deles é legitima, é uma luta organizada pelo movimento estudantil. Temos aí a criminalização das entidades e da militância dos movimentos sociais, do qual o movimento estudantil faz parte. Os estudantes estão sendo intimidados. A mesma delegacia que prende responsáveis por tráfico de entorpecentes e assaltos a bancos persegue estudantes e militantes sociais. O governo do estado não negocia e manda a polícia para fazer esse tipo de intimidação”.
Segundo Luis Augusto da Silveira, da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Goiás (Adufg - Seção Sindical do Andes-SN), a ação foi uma forma de perseguição e uma tentativa de identificar lideranças, e criminalizá-las para que não tenham outras atividades. “A preocupação maior é que esse tipo de ação da polícia evidencia que eles estão ‘de olho‘ naqueles que podem ‘subverter a ordem’, o que na verdade nada mais é do que uma luta, um direito de cidadania”.
Em nota, o DCE denuncia que a Polícia Civil tem atuado a mando dos empresários do transporte coletivo e do governo, e que não é de interesse dos governos estadual e municipal solucionar a crise do sistema de transporte da capital.