30/03/2015
Atualizada: 30/03/2015 00:00:00
A solenidade será realizada às 20h, no Museu Palácio Floriano Peixoto.
As associadas da Adufal e professoras da Ufal Clara Suassuna Fernandes, do Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Arte (ICHCA), Jorgina Sales Jorge, da Escola de Enfermagem e Farmácia (Esenfar) e Maria Alba Correia da Silva, do Centro de Educação (Cedu) e da coordenação do Núcleo dos Aposentados da Adufal estão entre as dez mulheres que vão ser homenageadas com a Comenda Nise Magalhães da Silveira. A solenidade ocorre nesta terça-feira (31), às 20h, no Museu Palácio Floriano Peixoto.
A Comenda Nise da Silveira é a maior homenagem pública conferida a mulheres brasileiras ou estrangeiras pelo Governo de Alagoas. A honraria é concedida a mulheres que tenham prestado contribuição relevante ao estado e ao país, na luta pela cidadania em suas respectivas áreas de atuação.
Também recebem a Comenda Nise da Silveira, Marcionila Verçosa do Rêgo, educadora; Maria Lúcia de Fátima Barbosa Pirauá, juíza, presidente da Associação Alagoana dos Magistrados (Almagis); Francisca dos Santos, líder religiosa; Maria Clara Santos, trabalhadora rural; Tânia Pedrosa, artista plástica; Nancy Virginia Karns Lyra, empresária norte-americana responsável por projetos sociais, no estado e Koran Xucuru Kariri, indígena que milita pela saúde e integridade da mulher.
Nise da Silveira – Médica alagoana considerada a introdutora da psicologia analítica no Brasil, e aquela que fundamentou as bases para o trabalho arte-terapêutico sem, entretanto, usar o termo arte-terapia para o trabalho que desenvolvia. Dedicou sua vida à psiquiatria e manifestou-se radicalmente contrária às formas agressivas de tratamento de sua época, tais como o confinamento em hospitais psiquiátricos, eletrochoque, insulinoterapia e lobotomia.
Nasceu em 15 de fevereiro de 1905 em Maceió (AL), filha do professor de matemática Faustino Magalhães e da pianista Maria Lídia da Silveira. Aos 21 anos formou-se médica pela Faculdade de Medicina da Bahia, sendo a única mulher em uma turma de 157 homens. Casou-se com o médico sanitarista Mário Magalhães, seu colega de turma na faculdade, com quem viveu até seu falecimento (dele) em 1986. Após o falecimento de seu pai, em 1926, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde engajou-se nos meio artístico e literário. Começou a trabalhar como psiquiatria, interessada em novos métodos para tratar a esquizofrenia e foi médica interna do Hospital da Praia Vermelha. Na agitação política dos anos 1930, foi denunciada e presa como comunista por 16 meses na Casa de Detenção da Rua Frei Caneca.
Foi reintegrada ao serviço público com a anistia e, em 1946, propôs ao diretor do Centro Psiquiátrico Pedro II, no bairro de Engenho de Dentro, na cidade do Rio de Janeiro, a criação de uma seção de terapia ocupacional naquele hospital Seu trabalho pioneiro de pesquisa sobre o tratamento da doença mental através da arte-terapia foi reconhecido internacionalmente. A produção artística dos internos foi reunida no Museu de Imagens do Inconsciente, fundado por ela em 1952. Alguns dos artistas revelados pelo seu trabalho alcançaram renome internacional, sendo o mais famosos deles Arthur Bispo do Rosário. Nise faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 30 de outubro de 1999, aos 94 anos.
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