15/09/2015
Atualizada: 15/09/2015 00:00:00
Docentes federais concederam esclarecimentos sobre a paralisação da categoria a diversos veículos de comunicação do Estado
Ana Daniella Leite
O Comando Local de Greve (CLG) da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal) realizou uma coletiva de imprensa, na manhã desta terça-feira (15), na sede da entidade, com a intenção de expor e esclarecer as pautas propostas pela categoria ao Governo Federal, bem como as demandas locais, diretamente negociadas com a reitoria da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Há 110 dias os docentes federais estão em greve, e desde então, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições do Ensino Superior (Andes-SN) recorre a diversas tentativas de negociação com o Ministério da Educação (MEC). Em âmbito nacional a mobilização da categoria é pela defesa do caráter público da universidade; melhoria das condições de trabalho; garantia de autonomia; reestruturação da carreira docente; e a valorização salarial de servidores ativos e aposentados. No entanto, o Governo Federal, realizou cortes no orçamento destinado à Educação na ordem dos R$ 10 bilhões, apenas no ano de 2015.
Além disso, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciou novas medidas de ajuste fiscal que caracterizam um retrocesso histórico no âmbito das lutas sindicais no país e que vão de encontro com as pautas solicitadas pela greve dos decentes federais, dentre elas: adiar o pagamento de reajuste de salário dos funcionários públicos, de janeiro para agosto de 2016; suspender os concursos públicos; e acabar com o chamado abono permanência, um acréscimo que o servidor recebe para não se aposentar.
Diante desse cenário, onde não há espaço para negociações, a categoria entende que o momento é o de continuar com o movimento de greve, para que não haja perdas no campo dos direitos já adquiridos e a fim de garantir que as reivindicações atuais sejam analisadas e contempladas.
“Não podemos aceitar que as funções principais das universidades sejam depreciadas. É preciso garantir investimentos para o ensino, a pesquisa e a extensão desenvolvidas por estas instituições, que correspondem a 90% das pesquisas realizadas no país. Também não podemos aceitar a precarização das condições do trabalho docente e da infraestrutura oferecida”, afirma a professora da Universidade Federal de Alagoas, Georgia Cêa.
O CLG da Adufal também encabeça as negociações para pautas identificadas como locais e que têm caráter de emergência, que para serem atendidas não precisam de uma negociação com o Governo Federal, bastaria apenas o uso de vontade política por parte da reitoria da UFAL, dentre elas: a transparência e democratização dos recursos da universidade; garantia mínima de qualidade da expansão; democratização do Centro de Interesse Comunitário (CIC) e garantia de entrada única no Campus do Sertão.