30/09/2015
Atualizada: 30/09/2015 00:00:00

E solicitam providências por parte da gestão da UFAL
Os docentes da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) reunidos em assembleia, na última segunda-feira (28), no auditório do Centro de Interesse Comunitário (CIC – UFAL), expuseram o documento redigido pelos Fórum Alagoano em Defesa do SUS e Contra a Privatização e o Centro Acadêmico Sebastião da Hora - do curso de Medicina -, que denuncia os graves problemas enfrentados pelo Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA), mais conhecido como Hospital Universitário (HU).
Diante do exposto, a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal), vem a público denunciar a situação calamitosa em que se encontra o HU e exigir da gestão da UFAL a resolução dos atuais problemas. Problemas esses que, além de afetarem de forma direta as atividades de Ensino e Pesquisa, prejudicam os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Em Alagoas, 87% da população dependem exclusivamente do SUS.
Abaixo está o documento enviado pelo Fórum e pelo Diretório Acadêmico:
1)Suspensão dos internamentos na clínica cirúrgica, clínica médica e pediátrica do Hospital Universitário a partir do dia 23/09/2015.
Durante a tarde da terça-feira, dia 22 de setembro, em uma reunião, os chefes dos serviços do HU decidiram que não haverá mais internamentos na clínica cirúrgica e clínica médica do Hospital. Há duas semanas a farmácia central tem avisado que os medicamentos estavam entrando em escassez, até que nesse final de semana faltou soro fisiológico de 500ml, Ringer-lactato, nutrição parenteral, dipirona, albumina, entre outros medicamentos imprescindíveis para o tratamento de infecções, controle de dor e náuseas. Os internos avaliam que o serviço pode ainda parar por completo caso a falta de medicamentos continuem, visto que esses são materiais necessários ao dia-a-dia das clínicas. Vale ressaltar que o hospital pediu empréstimos de suprimentos a outros hospitais há pouco tempo e não houve reposição, logo, os mesmos não estão dispostos a ceder materiais.
Por que a atual gestão da EBSERH no HU deixou que os serviços de internamentos na clínica cirúrgica e clínica médica fossem suspensos deixando os usuários do SUS sem opção de serem atendidos no Estado de Alagoas?
2) Suspensão da Quimioterapia no HU há mais de um mês.
A falta de dois medicamentos que ajudam o tratamento contra o câncer suspendeu os atendimentos aos portadores da doença no Hospital Universitário. De acordo com a direção do HU, estão em falta o docetaxel- que aumenta a sobrevida dos pacientes e usado na quimioterapia- e a morfina- de função analgésica.O docetaxel é repassado pelo Governo do Estado; a morfina é comprada pelo próprio HU.
Por que a atual gestão da EBSERH no HU deixou faltar morfina, medicamento essencial que alivia a dor dos pacientes em tratamento do Câncer?
3) Cancelamento de todas as cirurgias.
Aproximadamente 387 cirurgias são realizadas mensalmente na unidade hospitalar. Todas as cirurgias a partir de 23 de setembro foram canceladas por falta de medicamentos e material médico-cirúrgico.
4) Ambulatórios com funcionamento precário.
Sem a possibilidade de internar os pacientes descompensados ou conduzir pacientes com neoplasias, os ambulatórios não estão funcionando com toda efetividade, dificultando o atendimento da população.
5) A atual situação do Hospital Universitário, que se encontra sobre a gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), é inaceitável.
A melhoria prometida pela reitoria da UFAL na qualidade dos serviços prestados à população usuária, com a entrega de seu Hospital a essa empresa não se concretizou. O HU está sob a gestão da EBSERH há um ano e oito meses, quando houve a assinatura do contrato com essa Empresa, em 14 de janeiro de 2014, depois da adesão monocrática do Reitor em 20/12/2012, sob protestos da comunidade acadêmica. Entretanto, diversos problemas continuam no acesso ao atendimento especializado, houve diminuição do número de leitos, não ampliação do Centro Cirúrgico, fechamento ou descaracterização de serviços, como o Hospital Dia, suspensão ou diminuição nos atendimentos de alta complexidade: CACON, Nefrologia, Anestesiologia, Cardiologia, Hospital Dia de Infectologia, Pediatria, Puericultura, além da falta de medicamentos e vários aparelhos quebrados, entre outros.
6) Além disto, o corpo de funcionários efetivos da UFAL, regido pelo RJU, lotado no HUPAA, encontra-se de forma irregular, sob gerência pessoal da Empresa. Essa convivência irregular e complexa de dois vínculos trabalhistas no HU tem trazido inúmeros problemas para os trabalhadores do hospital.
Diante do exposto solicitamos:
1) As providências imediatas para a retomada da realização das cirurgias canceladas, dos internamentos na clínica cirúrgica, clínica médica e pediatria, dos serviços de Quimioterapia, do funcionamento integral dos ambulatórios, e para o provimento de medicamentos da farmácia central e dos demais materiais necessários ao pleno funcionamento do HUPAA.
2) Retomada da administração direta, pela UFAL, do HUPAA que foi entregue à EBSERH, através da imediata descontratação com a EBSERH.