De acordo com os docentes, previsão para 2016 é que diminuição orçamentária chegue a R$ 34 milhões
Clariza Santos e Anne Caroline Bomfim*
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10.09.2015 11h08
Em uma coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira (15), na sede da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal), no bairro do Farol, os integrantes do movimento grevista afirmaram que, com os recursos que tem, a universidade não consegue se manter e nem cumprir prazos de pagamentos.
Para o ano de 2016, por exemplo, os professores anunciaram que a universidade prevê uma redução de R$ 34 milhões que deveriam ser investidos em obras e equipamentos. Além disso, também há um déficit orçamentário devido aos cortes praticados já nos anos anteriores. Da previsão orçamentária para 2015, de R$ 680 milhões, R$ 130 milhões deixaram de ser repassados, de acordo com o movimento grevista.
Na entrevista, os professores em greve denunciaram que os campus de alguns municípios do interior do estado não dispõem de infraestrutura necessária para as aulas. Os prédios, segundo eles, são alugados e a universidade não investe na construção de espaços mais apropriados para atender às demandas da comunidade acadêmica.
Atualmente, 18 obras de infraestrutura estão em andamento, mas não existe nenhuma garantia de que elas sejam entregues em 2015, visto que a universidade está priorizando as que estão em andamento. "Até que a situação seja contornada, a Ufal não vai iniciar novas obras, o que acaba fortalecendo a continuidade do pagamento de alugueis de prédios no interior de Alagoas. Santana do Ipanema, por exemplo, funciona há cinco anos em um prédio alugado", explicou José Menezes, professor de Economia da Ufal.
"Os cortes só estão acontecendo no setor público. Todo o dinheiro da universidade está sendo disponibilizado para as universidades privadas, que não terá cortes no próximo ano. Esse recurso poderia ser investido para dispor mais vagas nas instituições públicas, com ensino, pesquisa e extensão", complementou ele.
Ainda segundo o professor, a universidade possui um montante de R$ 8,5 milhões a pagar e somente R$ 3,5 milhões deste valor estavam liquidados. O resultado do arroxo orçamentário e a redução de gastos provocou o atraso na construção de obras estruturais, o engessamento na compra de livros e materiais acadêmicos e a não reposição de compra e equipamentos de mobília.
Além disso, os docentes denunciaram que aproximadamente dois mil estudantes estão sem receber bolsas e que o movimento docente busca negociar com o reitor da universidade, Eurico Lôbo, aguardando uma reunião imediata com a reitoria.
Greve já dura mais de 100 dias
A paralisação já completou 100 dias e ainda não há nenhum tipo de negociação efetiva com o Ministério da Educação (MEC). A pauta geral da categoria é a mesma da greve de 2012.
Os grevistas defendem o caráter público e a qualidade do trabalho desenvolvido na universidade, a regularização imediata da jornada de 30 horas para os trabalhadores técnicos-administrativos em todos os setores, transparência no orçamento, agilidade na construção da sede do Campus de Santana de Ipanema e Penedo, a manutenção de bolsas estudantis, dentre outras reivindicações.
Sob supervisão da editoria*