A situação que já era ruim, ficará ainda pior na Universidade Federal de Alagoas. O corte de gastos do governo, que gira em torno de R$ 26 bilhões, atinge em cheio a Ufal, que está em greve há mais de 100 dias, acumula dívidas, não terá concurso público para contratação de servidores, o que gera a revolta dos professores da unidade de ensino.
Em coletiva na manhã desta terça-feira (15), os docentes, servidores da Ufal, divulgaram um balanço da atual situação, pegando um gancho no pacote de corte de gastos do governo.
Segundo a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal), o orçamento previsto para a Ufal este ano, foi de R$ 680 milhões. Porém, apenas R$ 144 milhões desse valor é gerido diretamente pela reitoria e justamente essa quantia, será afetada com os cortes do governo, uma vez que dos 5 mil bolsistas, 2 mil já tem seu benefícios prejudicados.
Além disso, haverá um corte de 75% das verbas para pós-graduação, 80% no processo de formação de professores e um percentual entre 10 e 30% no custeio da universidade, que vai da compra de papel higiênico até um tonner para impressão de materiais da universidade.
Neste quesito, a Ufal já sofre com o acúmulo de dívidas, como confirma a membro da Adufal, Georgia Cea. “Todas as contas da Ufal estão atrasadas. Constantemente a reitoria precisa renegociar os débitos com credores e isso prejudica o funcionamento do trabalho”, afirmou a docente, que ainda cobrou a transparência da reitoria da universidade, referente ao pagamento de bolsas de estudos.
Sobre o pacote de gastos, a Adufal apontou que o governo segue o caminho errado. “Existe uma necessidade de cortar gastos, mas não dessa forma. Tem dinheiro para custear a educação. Mas, o governo mostra que escolheu cortar justamente no serviço público, incluindo a educação, setor que não se pode prescindir”, afirmou José Menezes Gomes, diretor do comando de greve da Adufal.
Outro ponto abordado junto aos docentes, foi justamente o período de greve. Há 100 dias paralisados, os professores da Ufal não tem previsão de retorno. “Todas as investidas do governo são passíveis de avaliações, partindo do comando nacional da greve, até as nossas assembleias locais. É fato que a situação se agrava a cada dia, mas continuamos avaliando. A greve vai durar até a categoria acredite que é momento de retornar. Não dá para garantir quando irá terminar o movimento”, concluiu Georgia.
Diante da crise financeira e da falta de investimentos, a Universidade Federal de Alagoas, que já esteve entre as 5 melhores do nordeste, ocupa a penúltima posição da região, a frente apenas o Maranhão e fora do Top100 das universidades brasileiras.