07/10/2015
Atualizada: 07/10/2015 00:00:00
Estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ocupam o prédio da reitoria da instituição desde a última sexta-feira (2), em protesto contra a postura do reitor Anísio Brasileiro que impediu a participação dos estudantes na reunião do Conselho Universitário (Consuni), realizada no mesmo dia, que votaria o novo Estatuto da universidade. Os alunos exigem que o novo Estatuto da instituição, aprovado pelo Congresso Estatuinte em maio deste ano, não seja modificado pelo Consuni antes de homologação.
Jessé Sama, um dos estudantes que ocupa a reitoria e diretor da Oposição de Esquerda da UNE, explicou que o novo estatuto contempla a paridade de decisão nos órgãos deliberativos da universidade. Os estudantes reivindicam que os três segmentos (estudantes, técnicos e docentes) tenham, cada um, um terço dos votos nas decisões sobre a UFPE. “Hoje só temos uma vaga para estudantes, cinco para técnicos e mais de 75 para docentes. Todos os pró-reitores e diretores de centro são membros natos do Conselho Universitário”, critica.
Segundo Jessé Sama, o reitor tem utilizado do seu autoritarismo e violência psicológica para lidar com a ocupação. No primeiro dia, a reitoria da UFPE entrou com um pedido de reintegração de posse na Justiça, exigindo a retirada dos estudantes do prédio em 24 horas. O pedido foi rapidamente acatado e a qualquer momento a Polícia Federal poderá agir. Desde então, os estudantes estão sofrendo ameaças e agressões dos seguranças universitários, contratados por uma empresa terceirizada, e com os cortes de energia e água no prédio. “De noite são ligadas as sirenes das viaturas e os seguranças falam ‘vocês são nossos brinquedos’. Um segurança quebrou uma porta de vidro próximo da gente, como mais uma forma de intimidar. Estamos sem água na torneiras, desde ontem (6), e sem energia desde o dia 2. Estamos sitiados e sem diálogo”, denunciou.
Jessé Sama conta que só deixarão o local se houver comprometimento da reitoria em liberar a participação dos estudantes na próxima reunião do Consuni, marcada para o dia 28 de outubro. “Nós queremos que esse Conselho discuta o novo Estatuto e que conte com a nossa participação. Tendo cumprido essas exigências, nós saímos”. E completa: “A reitoria não pode ter medo de ouvir os alunos, nós somos a grande maioria dentro da universidade. A nossa ocupação é só uma mostra de que nós queremos discutir, queremos diálogo e democracia”, disse.
Em moção, a diretoria do ANDES-SN manifestou o seu apoio e solidariedade ao movimento estudantil da UFPE, por compreender que a reitoria da instituição está lidando com a situação de forma autoritária. “O ANDES-SN tem compromisso com os princípios democráticos para uma educação pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada”, afirma o texto.

Novo Estatuto
O novo estatuto foi elaborado seguindo critérios democráticos com a participação de mais de mil pessoas distribuídas de forma equivalente entre docentes, técnicos e estudantes. Durante dois anos, foram realizadas audiências e debates para estabelecer as normas que regem todas as atividades da universidade, desde a criação de currículo até o material de logística. O novo Estatuto foi aprovado pelo Congresso Estatuinte em maio deste ano, e os estudantes exigem a homologação imediata para o envio do documento ao Ministério da Educação (MEC).
“Nos últimos meses, representantes eleitos democraticamente por estudantes, professores e servidores técnico-administrativos vêm construindo um novo Estatuto para a instituição em substituição ao atual, que vigora desde a Ditadura Militar. Após amplos debates na sua construção, finalmente foi finalizado o novo documento que regulamenta todo o funcionamento da universidade. No entanto, apesar de em sua campanha para reeleição se comprometer com a homologação do Estatuto, o reitor decidiu não homologar o documento construído coletivamente, propondo alterações em seu texto com alegações legalistas e vazias”, diz a moção de apoio.
Acesse aqui a moção de apoio do ANDES-SN
*Foto: Clarissa Siqueira / Radio Jornal