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18/12/2015
Atualizada: 18/12/2015 00:00:00


Docentes, técnico-administrativos, trabalhadores terceirizados e estudantes da graduação e pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizaram na última quarta-feira (16) um ato unificado no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da instituição em defesa da universidade pública e de sua autonomia, e contra o subfinanciamento da universidade.

Fernando Santoro, 2º vice-presidente da Associação dos Docentes da UFRJ (Adufrj – Seção Sindical do ANDES-SN), afirmou a importância do ato e que este é o primeiro de uma série de encontros que visa a fortalecer a resistência da UFRJ aos cortes de verbas e manter a qualidade de ensino e trabalho da universidade para 2016. “É preciso lutar em defesa de uma universidade pública, gratuita e de qualidade. A universidade deve assumir sua responsabilidade para além de seu reconhecido papel na formação, em todos os níveis, e na produção e inovação de conhecimento, das ciências à arte, local e internacionalmente. Aqui temos a diversidade e pluralidade de ideias que compõem a sociedade”, disse.

O diretor falou sobre os impactos dos cortes orçamentários, feitos pelo governo federal em 2015, no desmonte do sistema público. “Quero destacar a notícia recebida ontem [15] com a ameaça de não renovação do Portal de Periódicos da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Existem várias formas de se boicotar o funcionamento da universidade e uma delas é desconectá-la de toda a rede de pesquisa para a qual contribui”. E completou: “Não estamos falando de um corte com impacto apenas para 2016, mas de algo que pode afetar o futuro da próxima geração”.

Terceirizados e Estudantes

O problema das condições degradantes da terceirização na universidade foram destacados na manifestação, assim com a dificuldade dos estudantes em permanecer na universidade por conta do atraso e cortes de bolsas. Francisco de Assis dos Santos, coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ (Sintufrj) enfatizou a necessidade de pressão política por concursos públicos. “Não aceitamos a tese de que é preciso se adaptar aos cortes. O que precisamos é fazer um redimensionamento da força de trabalho e exigir a reintegração dos concursos para atividades que são imprescindíveis à universidade”, afirmou o coordenador que ainda ressaltou que a expansão das universidades públicas veio acompanhada pelo aumento da precarização do trabalho dos terceirizados, muitos, em condições análogas à escravidão. 

Waldinéa Nascimento, da Associação dos Trabalhadores Terceirizados da UFRJ (Attufrj), lembrou que mesmo a terceirização representando o maior gasto da universidade, não implica condições mínimas para os trabalhadores. “O mínimo que se espera para quem trabalha é o pagamento dos salários e ainda temos pessoas sem receber há meses”. Seguindo determinação do Ministério Público do Trabalho, a UFRJ começou a pagar diretamente aos funcionários da Venturelli. Os pagamentos iniciaram no dia do 16 deste mês e se estenderiam até esta sexta-feira (18). A dirigente ainda relatou que mais de 70 famílias informaram à Attufrj terem sido desalojadas pelo não pagamento de aluguéis. 

Caique Azael, do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Mário Prata, relatou que os estudantes cotistas, assim como os terceirizados, são os primeiros a sentir os impactos da  falta de financiamento. “Os estudantes entrarem em greve, antes mesmo dos docentes e técnicos, porque entendíamos que era um problema nacional, e não de uma universidade ou outra”, frisou. “A UFF ficou sem luz, e na Rural (UFRRJ) sem comida no bandejão”. 

Alice Matos, da Associação dos Pós-Graduandos, também falou sobre assistência. “Não há política de permanência para os estudantes da pós. Além dos valores baixos, as bolsas são vistas como auxílio é não como ferramenta de assistência estudantil”, criticou.

*Edição do ANDES-SN

 

 

Fonte: Andes - SN

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