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25/11/2016
Atualizada: 25/11/2016 00:00:00


O Patriarcado vem se reinventando ao longo da história, se modernizando sem perder a sua essência e a sua raiz: a dominação, exploração e opressão da mulher pelo homem. Reatualizando o “poder do macho” por um lado e o “sexo frágil” pro outro. Justificados a partir de uma perspectiva essencializadora e biologizante, a qual transforma as diferenças físicas em desigualdades sociais, políticas, econômicas e culturais. Definindo lugares, papeis, funções, profissões e espaços que são em “essência” feminino ou masculino. Produzindo e reproduzindo as desigualdades de gênero tanto nos espaços públicos quanto nos espaços privados.

Não temos o objetivo de realizar um resgate histórico da condição da Mulher na sociedade, contudo é importante lembrar que até os anos 1930 a Mulher não tinha direito ao voto e a educação formal e de nível superior. Que até os anos 1960 vigorava no Brasil o “Estatuto da Mulher Casada” em determinava que a Mulher só poderia estudar e/ou trabalhar mediante autorização escrita do marido ou pai.

 A dominação, exploração, opressão do homem se dá pela apropriação do tempo da mulher (que ainda hoje é considerada a única responsável pelo trabalho doméstico não remunerado), pela apropriação do corpo da mulher (criminalização do aborto) e/ou obrigação sexual (o estupro só passa ser reconhecido como violência, com a Lei 11.340 – Lei Maria da Penha - até então o que vigorava era a máxima de que a mulher tinha que “servir sexualmente” sempre que o marido a procurasse e pela obrigação social (de cuidar das crianças, idosos, deficientes, esposo e da casa). É sob este arquétipo viril (poder do macho) que se consolida a dominação masculina, causando inúmeros danos a nossa sociedade. É o que faz do Brasil o 5° país do mundo que mais mata Mulheres. Transformando esse dado em números temos 5.664 Mulheres mortas ao ano, 472 mortes de mulheres ao mês, 15,52 Mulheres Sendo mortas ao dia é 1 mulher a casa meia hora (dados IPEA e ONU). Não são mortes acidentais, ou causadas pela violência Urbana. Todas as mortes tem como raiz o feminicídio, ou seja, a morte de mulheres pela sua condição de mulher, considerada ainda hoje como um ser subalterno que deve obediência e respeito ao homem – o que fica claro em todas as justificativas dos criminosos: “Se ela Não for minha não será de mais ninguém”, “ela era minha mulher”.

 No Nordeste, onde a figura do “cabra macho” é bastante exacerbada tem reflexo direto na taxa de violência que é de 6, 9 mortes para cada 100 mil Mulheres, ultrapassando o índice do Brasil (5,66). E quando olhamos para o nosso estado este índice cresce mais ainda chegando a 8,84 mortes para cada 100 mil Mulheres, configurando-se como o 3° estado que mais mata Mulheres, perdendo para o Espírito Santo e Bahia. Ao realizarmos um recorte de raça e classe identificamos que 61% destas Mulheres mortas são negaras e com baixa escolaridade e baixos salários. O que podemos perceber o funcionamento da simbiose capitalismo-patriarcado-racismo que de forma funcional agrega a classe trabalhadora outras formas de opressão e dominação que vão além da exploração de classe.

É por isso que hoje dia 25 de novembro de 2016 conclamamos a todas e todos a irmos às ruas dizer NÃO A VIOLÊNCIA CONTRA À MULHER, NÃO AO FEMINICÍDIO, NÃO A PEC 241/55 que representa a “PEC da Morte”. Para nós da classe trabalhadora, mulheres, negros/as, pobres esta PEC caminha para o nosso completo extermínio, fato que já vem acontecendo paulatinamente em nossas vidas. Por isso precisamos entender que estamos em guerra, guerra pelo direito à vida, o que significa uma guerra contra o capitalismo, o patriarcado, o racismo e a heteronormatividade.

“Ser feminista é estar do lado da justiça, da liberdade, da dignidade Humana, do respeito a integridade de cada pessoa. É rejeitar escravidão sexista, é negar discriminação e promoter o bem-estar das pessoas independente de gênero e de Condição social”

(ELUF, 2000)

 

 

Andréa Pacheco de Mesquita – Profa. Dra. da FSSO/ UFAL, Grupo Frida Kahlo 


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