25/05/2017
Atualizada: 25/05/2017 00:00:00
Um mar de gente ocupou as ruas de Brasília (DF) nessa quarta-feira (24) em manifestação contra as Reformas da Previdência e Trabalhista, pela revogação da Lei das Terceirizações e pelo Fora Temer. As 150 mil pessoas presentes no ato fizeram do Ocupe Brasília a maior manifestação da capital federal na última década, superando largamente em quantidade de pessoas atos como os de Junho de 2013.
A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal) mandou um ônibus em parceria com Sintufal e Sintiefal para ampliar a participação dos/as trabalhadores/as alagoanos na atividade. Além do ônibus, a entidade mandou cinco representantes da categoria, eleitos em Assembleia para somar-se no ‘Ocupa Brasília’: Andréa Pacheco, Ailton Galvão (diretor da Adufal), Adriana Lourenço, Carolina Nosella e Andrea Giordana.

Para Andréa Pacheco, Conselheira da Adufal, a marcha foi uma conquista da classe trabalhadora, diante do processo repressivo que o Brasil vem vivendo. “Na luta de classe não há empate! Não é o momento de titubear ou vacilar, mas sim de assumir de forma concreta de que lado estamos. Somos trabalhadoras/es e assumir esta luta na aliança com estudantes, operárias/os, sem terra, quilombolas, indígenas, cortadoras/es de cana é o nosso maior desafio enquanto sujeito político que tem como horizonte a destruição do capitalismo. Este ato mostrou que podemos nos organizar em torno da unidade da luta e que este é o único caminho, já sinalizado por Marx: "trabalhadores/as do mundo uni-vos". Não há outra saída se não o enfrentamento e extermínio do capitalismo, do patriarcado, do racismo e da heteronormatividade que sustentam esta sociabilidade burguesa dominante. Vir pro ato Ocupa Brasília do dia 24 de maio foi uma experiência rica para reoxigenar nossos sonhos em busca de uma sociedade justa, igualitária, democrática e ética”, destacou a docente.
Ailton Galvão, vice Tesoureiro da Adufal, definiu a experiência da manifestação ‘Ocupa Brasília’ como emocionante. “É indescritível o que vivenciamos nesta marcha, com essa grande multidão de quase 200 mil pessoas, com diversas cores partidárias, mas com um objetivo único: Fora Temer, Nenhum Direito a Menos. Lamentamos apenas o fato do despreparo da polícia, com sua forma provocatória e truculenta”, descreveu o diretor.
Segundo a docente associada à Adufal, Andrea Giordana, do Centro de Educação (CEDU), o ‘Ocupa Brasília‘, além de ser um momento de reenvicidação da classe trabalhadora, foi uma oportunidade de aprendizado. "Vi muitos movimentos de bases sindicais diferentes, mas com uma pauta comum, que era o Fora Temer, ou com Diretas Já. Embora tivéssemos cores de camisas e textos diferentes, havia uma certa comunhão. Uma organização muito grande. Muitas instituições sindicais aproveitaram para distribuir texto mostrando a situação em seus estados e municípios, de perseguição de docentes, de criminalização aos movimentos sociais, crimes contra professores e sindicalistas. Mais que um momento de manifestação, foi um momento de formação e informação".
A também docente associada à Adufal, Carolina Nossela, do CEDU, considerou o ato vitorioso, e repudiou a repressão feita pela polícia. "A atividade do ‘Ocupa Brasília‘ foi vitoriosa. Mais de 150 mil pessoas marcharam contra a agenda reacionária e conservadora de ataque às conquistas e direitos dos/as trabalhadores/as. Apoiados nas nossas organizações deram o recado de que não aceitarão o Golpe dentro do golpe. As palavras de ordem de Fora Temer e Diretas já tomaram as ruas do Estádio Mané Garrincha até a Esplanada dos ministérios. É necessário registrar e repudiar as ações arbitrárias e fascistas dos golpistas. A repressão truculenta ocorrida no dia 24/05 não está dissociada dos assassinatos dos trabalhadores do campo no Pará, ou das ações de João Dória em São Paulo", destacou.
Participaram da manifestação trabalhadores/as, estudantes e militantes de movimentos sociais populares de todos os Estados do Brasil. O ANDES-SN, com grande bancada presente em Brasília, organizou uma coluna junto à demais entidades da Educação, na qual defendeu também a construção de uma nova Greve Geral, dessa vez de 48h, como tática para barrar as contrarreformas e derrubar Michel Temer da presidência.
A concentração da manifestação começou nas primeiras horas da manhã, na medida em que os ônibus chegavam de norte a sul do país no estacionamento do Estádio Nacional Mané Garrincha. De lá, já perto das 12h, começaram a sair os primeiros blocos de manifestantes rumo à Esplanada dos Ministérios. A Polícia Militar (PM) do Distrito Federal, entretanto, realizou revistas nos manifestantes no percurso da Esplanada e impôs bloqueios à entrada de manifestantes na Praça dos Três Poderes, colocando barreiras antes do espelho d’água do Congresso Nacional.
Quem também considerou o ato vitorioso foi a docente associada, Adriana Lourenço, do curso de biblioteconomia. Segundo ela, o ato foi vitorioso e serviu para unificar as Centrais Sindicais e os Movimentos Sociais e dos demais movimentos. "A luta contra as reformas trabalhistas, da previdência, contra o governo ilegítimo e a favor das Diretas Já unificou Centrais Sindicais, Movimentos Sociais, estudantes, famílias e população em geral em uma marcha com 150 mil pessoas que realmente ocupou Brasília. Mas a luta continua agora trabalhando junto a base ainda mais para a construção da greve geral", concluiu.
O uso das Forças Armadas contra essa manifestação só comprovou a insustentabilidade do governo Temer.
Tão grande era o ato que os manifestantes que estavam na parte de trás demoraram quase duas horas para chegar ao final da Esplanada. Lá, a PM, comandada pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB), cumpriu seu papel de braço armado do Estado e, durante horas de repressão incessante, milhares de bombas foram lançadas contra os trabalhadores, assim como gás de pimenta e tiros de bala de borracha para impedir o direito à manifestação. Ironicamente, o governo do DF, que repete cotidianamente a necessidade de privatizar serviços como os de saúde por “falta de verba”, não se importou com os milhares de reais gastos em equipamentos de repressão policial.
Temer coloca Forças Armadas na rua contra o povo
Em reação à brutal violência da polícia, manifestantes se defenderam queimando pneus e montando barricadas. O presidente Michel Temer decretou a “Garantia de Lei e de Ordem” em todo o Distrito Federal até o dia 31 de maio. Temer se valeu da Lei Complementar nº 97/1999 e do artigo 84 da Constituição Federal para colocar as Forças Armadas nas ruas. Segundo o Correio Braziliense, 1200 militares do Exército, Marinha e Aeronáutica rapidamente se apresentaram na Esplanada dos Ministérios para ajudar a polícia de Rollemberg a reprimir a manifestação. Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), comentou a decisão de Temer em sessão na tarde desta quarta. Ele disse ter ficado preocupado com o decreto e acrescentou: “espero que a notícia não seja verdadeira”.
Policiais do DF também utilizaram, indiscriminadamente, armas de fogo letais contra os manifestantes. A Secretaria de Saúde do DF informou que há uma pessoa baleada internada no Hospital de Base. Até o momento, há notícias de mais 80 manifestantes feridos e de mais de sete detidos.