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11/02/2019
Atualizada: 11/02/2019 19:00:14


Dezessete alunos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) tiveram suas fotos, endereços, telefones e dados das carteiras de identidade e CPFs monitorados e divulgados por um colega sob a acusação de que os estudantes estariam formando um grupo subversivo de oposição ao presidente eleito. A devassa realizada pelo estudante do Campus da instituição no bairro de Botafogo deu origem a uma Notícia de Fato na 2ª Câmara Criminal da Procuradoria da República no estado, enquadrada sob o tema “Quadrilha ou Bando”.

O procurador que acolheu a representação lista como supostos crimes dos 17 estudantes a militância com orientação à esquerda, a organização de manifestações de oposição ao governo e a participação em grupos de redes sociais que tecem críticas a determinados grupos políticos. “É sabido que as universidades são um grande foco de grupos subversivos contra a ordem em geral da democracia e soberania nacional”, escreve o aluno. O representante também acusa os professores da UniRio de reprovar e não selecionar para bolsas “alunos que possuem posição política diversa”. Diante das acusações meramente subjetivas, o estudante afirma: “não sei muito sobre leis, porem em algum artigo do código penal, lei de segurança nacional ou no que diz respeito a inteligência brasileira deve ter algum respaldo”.

A representação, ainda que anônima e que não apresente evidências materiais sobre o suposto crime de formação de “quadrilha ou bando”, foi encaminhada à UniRio pelo procurador Ricardo Martins Baptista. O reitor da instituição foi intimado a prestar informações sobre as supostas “irregularidades por parte de alunos, bem como de professores em razão de divergências políticas” na universidade.

Apesar de o procurador ter alertado para a presença de “dados pessoais” no documento (as informações foram omitidas pela comunicação da ADUnB para proteger a identidade dos alunos), a queixa circula em grupos de mensagens instantâneas. Além de ressaltar as atividades políticas, o representante chama os estudantes de “vagabundos” e solicita a quebra do sigilo telefônico dos colegas. Sem apresentar provas, o autor da queixa anônima acusa os estudantes de utilizar redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas para “propagar manifestações terroristas e a favor do aborto clandestino”.

Leia aqui a queixa na íntegra.

Grupo Integralista
Em dezembro de 2018, um grupo intitulado “Comando de Insurgência Popular Nacionalista” e autodenominado integralista, publicou um vídeo queimando três bandeiras antifascismo roubadas dos diretórios acadêmicos da UniRio. Nas imagens, ao menos 11 homens encapuzados e com camisas pretas estampadas com a bandeira do Brasil, proferiam discursos de ódio e vandalizavam as bandeiras com pisões e chutes, terminando por incendiá-las.

À época, a assessoria de comunicação da universidade declarou que, ao tomar conhecimento das imagens, acionou o Ministério Público e a Polícia Federal para que apurassem o ocorrido.

Fonte: Da ADUnB, divulgado em Repórter Nordeste

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