14/04/2023
Atualizada: 14/04/2023 18:54:21
Com o objetivo de discutir os impactos do Novo Ensino Médio para a educação brasileira, especialmente a alagoana, foi realizada na tarde desta sexta-feira (14), uma sessão especial na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE-AL), convocada pelos deputados Bruno Toledo (MDB) e Ronaldo Medeiros (PT), atendendo a um pleito do deputado federal Rafael Brito (MDB/AL), ex-secretário de Educação do Estado.
Na audiência estiveram presentes representantes de entidades da educação e de movimentos estudantis, da Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (SEDUC), do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além de professores e estudantes do Ensino Médio estadual e federal. A vice-presidenta da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal), professora Sandra Lira, representou a entidade na ocasião.

Durante a sessão, depoimentos de professores e estudantes denunciaram as péssimas condições das escolas, a precarização do trabalho dos professores, a ausência de laboratórios, espaços e equipamentos para ofertar atividades práticas.
A redução da carga horária das disciplinas constantes do ENEM foi uma crítica comum e contundente, uma vez que anteriormente eram destinadas 2.400h e com o Novo Ensino Médio foram reduzidas para 1.800h, no máximo.

Ainda na ocasião, a Adufal fez duras críticas à reforma do ensino médio e denunciou seu caráter neoliberal, representando o desmonte da escola pública, a retirada de direitos da juventude da classe trabalhadora, além de aumentar a evasão estudantil, pois o Novo Ensino Médio exclui os mais pobres.
“Maceió é a cidade mais perigosa para um jovem negro e a sétima segura para um jovem branco. Os adolescentes da periferia lidam com a violência cotidiana e com o risco de morte permanente. Projeto de vida para este segmento é permanecer vivo. O novo ensino médio desconsidera a realidade. Queremos que a juventude tenha direitos, sonhos e possa prosseguir nos estudos, no trabalho e na vida”, relatou a vice-presidenta da Adufal, Sandra Lira.
Na sessão também foi denunciada a excessiva fragmentação de disciplinas e a desorganização do currículo, prejudicando estudantes e professores. Outro ponto discutido na audiência foi sobre o autoritarismo na escolha das disciplinas que seriam eletivas, pois esses itinerários foram escolhidos por empresas, não sendo ouvidas as escolas, professores nem os estudantes.
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