30/04/2013
Atualizada: 30/04/2013 00:00:00

Conforme a cultura chinesa, os filhos devem aos pais o que é chamado de “piedade filial”. O conceito manda que os filhos homens cuidem de seus pais na velhice, sendo eles os responsáveis pelo amparo econômico e emocional dos idosos. As esposas eram responsáveis por cuidar da casa e do casal de sogros quando a velhice deles chegasse. Com o passar do tempo, esses valores passaram por uma “revisão”espontânea trazida pela nova conjectura social, mas ainda não desapareceram. E nem deverão desaparecer, segundo Heying.
Fernanda Morena/Os Brics - Sun Lin
“O maior motivo para as famílias enviarem os idosos para asilos não é a falta da piedade filial, mas sim a falta de tempo da vida moderna. Já foi comprovado que, para aquelas famílias que têm condições de manter os pais em casa e podem pagar uma enfermeira ou acompanhante durante as horas em que estão trabalhando, a opção pelo cuidado tradicional dos pais fica sempre em primeiro lugar”, aponta.
Diversos casos de abandono e descaso já foram também reportados na China, o que levou o país a criar, em dezembro do ano passado, uma lei que permite aos pais processarem filhos negligentes. E não é apenas a falta de apoio financeiro que dará o caso aos idosos; a falta de visitas dos filhos pode também ser motivo de um processo judicial.
Preparação e apoio aos idosos
Ainda que o sistema de previdência esteja mudando ao longo dos anos para incluir mais pessoas e atender melhor à terceira idade chinesa, questões como a poluição e os novos hábitos alimentares chineses (como o aumento do consumo de carne e doces) mudaram também o mapa da saúde na China.
Um programa criado em julho de 2011 colocou 33 hospitais da capital chinesa a operarem sob um fundo de segurança criado pelo Escritório Municipal de Recursos Humanos e Segurança Social de Pequim. No início do programa, o fundo cobria todos os serviços reembolsáveis por planos de saúde dos hospitais. Hoje, os hospitais são obrigados a cobrir os gastos caso eles ultrapassem o montante direcionado a eles anualmente.
Ainda não foram anunciadas medidas que envolvam projetos de planejamento urbano para absorver os 500 milhões de idosos que farão a composição da paisagem urbana da China nas próximas quatro décadas. Assim, o mercado de iniciativa privada e de serviços terceirizados, como o da Casa, floresce. “Não há um plano concreto para a mudança das cidades num país que está se tornando cada vez mais urbano. Mas há uma série de serviços criados especialmente para atender a demanda da população mais velha, como entrega de comida e centros de cuidado para idosos”, aponta Heying.
* Opera Mundi publica com exclusividade os textos do blog "Por dentro dos Brics", em que quatro jornalistas brasileiros trazem as novidades dos países emergentes direto de Rússia, Índia, China e África do Sul. Confira mais em www.osbrics.com e @osbrics no Twitter
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