23/05/2013
Atualizada: 23/05/2013 00:00:00
A primeira audiência pública da Comissão Anísio Teixeira de Memória e Verdade da UnB, que ocorreu na tarde desta terça-feira (21), lotou o auditório da Reitoria. Em tom de desabafo, o ex-reitor Antônio Ibañez Ruiz e o ex-aluno e jornalista Romário Schettino relataram os abusos a que foram submetidos durante o período de repressão na universidade. O atual reitor, Ivan Camargo, juntamente com os ex-reitores José Geraldo - responsável por instaurar a comissão - e Roberto Aguiar - presidente da comissão - , participaram da mesa de abertura.
“Fiquei 25 dias desaparecido e fui libertado depois de ficar numa geladeira para cicatrizar os ferimentos da tortura”, contou Romário Schettino sobre a prisão em que esteve mantido no subsolo do Ministério do Exército. No cativeiro, o jornalista foi sujeito a torturas e incansáveis interrogatórios. Por ter sido mantido encapuzado durante todo o processo, Schettino não consegue identificar quem foram seus agressores. “Depois disso, voltei para o meu trabalho, mas não consegui, estava paranoico. Dei-me um exílio e fiquei um tempo fora do Brasil”, relata. Ao final de seu depoimento, o ex-aluno da UnB entregou à comissão um documento recebido por ele do ex-reitor Cristovam Buarque. O texto foi escrito por um militar a respeito de 33 presos durante o regime, dentre esses o próprio Schettino. "Uma violência brutal e uma interrupção de vida. A Comissão de Verdade tem o papel de fazer com que as pessoas conheçam esses documentos”, declarou o jornalista.Fotos: Mariana Costa/UnB Agência
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