15/01/2021

Reuters/bruno kelly

Nos últimos dias, os brasileiros têm assistido de suas casas, por meio da imprensa e das redes sociais, as consequências do negacionismo do Governo Bolsonaro e o seu fracasso em desenvolver ações de combate ao novo coronavírus (Covid-19). Em Manaus, capital do Amazonas, uma tragédia se desenrola nesse momento com recorde de internações de pacientes com o vírus, levando à superlotação e à falta de oxigênio nas unidades de saúde.

Devido ao agravamento da pandemia na região, o governador Wilson Lima (PSC) informou, nesta quinta-feira (14), que um toque de recolher foi imposto em Manaus, proibindo a circulação de pessoas e o funcionamento de atividades das 19h às seis da manhã do dia seguinte.

Denúncias

Profissionais de saúde e administradores de hospitais denunciaram a situação caótica que os hospitais se encontram nas redes sociais. Com o aumento de internações por Covid-19 nas unidades de saúde da capital, a principal empresa que fornece oxigênio estava com dificuldades de produção.

Com o colapso no sistema de saúde, as cenas nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de Manaus, segundo relatos de familiares de pacientes, médicos e enfermeiros, parecem de um filme de terror. Médicos contam, ainda, que estão transportando cilindros de oxigênios nos próprios carros para os hospitais, enquanto familiares de doentes tentam comprar os insumos.

Ajuda

Diante do caos que se tornou a cidade de Manaus e com as mortes de pacientes pela falta de oxigênio, o governo da Venezuela afirmou, nesta quinta-feira (14), que irá disponibilizar oxigênio para atender os hospitais do estado do Amazonas.

A informação foi publicada pelo ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, nas redes sociais. “Por instruções do presidente Nicolás Maduro, conversamos com o governador do estado do Amazonas, Wilson Lima, para disponibilizar imediatamente o oxigênio necessário para atender o contingente de saúde em Manaus. Solidariedade latinoamericana acima de tudo!’, escreveu Arreaza.

Na noite desta quinta-feira (14), o governador Renan Filho (MDB), a exemplo de outros governos estaduais, anunciou 35 leitos à disposição do estado do Amazonas para receber pacientes internados na cidade com Covid-19. Apesar da oferta, Alagoas não está na primeira lista de estados que vão receber os pacientes.

Ainda entre a noite de quinta (14) e a madrugada desta sexta (15), parte da classe artística brasileira, formada por atores, atrizes, humoristas, cantores, além clubes de futebol se mobilizaram nas redes sociais para ajudar a cidade com doações em dinheiro e até cilindros de oxigênio.

Manaus tem quase 200 enterros em 24h

A prefeitura de Manaus informou que foram realizados 198 enterros nos cemitérios da cidade em 24 horas, batendo o recorde anterior — no dia 26 de abril fora registrado o ápice da primeira onda de infecções 167 sepultamentos na capital amazonense.

A maior parte das mortes (87) foi causada pela covid-19. Do total, somente três vieram de fora de Manaus. Outras 26 pessoas morreram em casa, de acordo com a prefeitura. Até a última quarta (13), mais de 5,8 mil morreram com Covid-19 no território amazonense.

Tragédia anunciada

Diante do colapso no sistema de saúde de Manaus é possível detectar as consequências do desfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS), o corte de gastos públicos, além de toda a política negacionista e negligente promovida pelo Governo Bolsonaro.

Para o presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal), professor Jailton Lira, o Brasil não consegue seguir em outro caminho, se não ao encontro de uma crise sanitária, quando vive uma redução do orçamento do SUS ano a ano, fruto da Emenda Constitucional 95, de 2016, que congelou os investimentos públicos em saúde.

“A política neoliberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, é outro ponto a ser adicionado nesta equação, como um fator propulsor para o agravamento da Covid-19 no Brasil. O que acontece neste início de 2021, em Manaus, é uma tragédia anunciada, consequência do descaso e desmonte do serviço público, da descredibilização da ciência e da política genocida do Governo Bolsonaro”, frisou o presidente da entidade.

Fonte: Ascom Adufal com informações da CUT

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